Logo que ficava pronto, a entrega era em casa, pelo filho menor, era a satisfação do cliente, ao receber em seu lar, o conserto do referente instrumento que ficava lá. Ainda para contentar este italianinho, para agradar, começava a tocar e a dedilhar. Quando era o acordeão, os dedos daquele menino, pareciam que iam soltar e os vizinhos começavam a chegar. O aprendizado com a família era nono ensinando, era o tio aprimorando, era o irmão para corrigir e tanta gente colaborando. Tinham que aprender desde criança para não ouvir o nono bravo reclamar. Herdeiros dele não tocavam qualquer instrumento da loja, tinham que apanhar, porque era função do trabalho vender, arrumar e tocar para a clientela ficar feliz ao entregar. E assim, na loja dos Trezzi, era mistura de conversas, compreensões e tanta solicitação e serviço, que eles agradeciam a Deus por tudo que trabalhavam. Atirados na atividade da tarefa a realizar, conseguiam um balanço, sempre positivo. Era a confiança, o talento e mestria familiar. Assim, passavam os dias e o mais harmonioso era o domingo na casa, que era só preguiça. O macarrão e arroz doce. A massa feita nas mãos, secava ao sol da janela na cozinha, para depois cortar todas as tirinhas bem fininhas pelas mãos delicadas da mocinha Mariela, prendada como ela só. E o arroz doce ficava na fervura, muitas honras na panela para o encontro do leite e o açúcar, ter o tempo de adoçar a gosto, deixando prato vazio, depois de almoçar. Limpando dedos na mesa e a fisionomia da satisfação, era o retorno que a nona tinha nos beijos dos netos e filhos – era mesmo a compensação. Depois o sono chegava, o sol lá fora queimava, mas cama, sofá e o chão serviam de aconchego para quem desejasse encostar. Na cozinha, continuava quem lavava as louças e punham tudo de novo no lugar. Na janta era só esquentar. Era o “resto” da panela, pouca coisa, mas dava para sustentar. Comida forte, tempero bom, era hora de deitar, rezar – agradecer. Depois recomeçar tudo de novo, em família, todos juntos, cada um na sua maneira, esperando o amanhã... Imigrantes de um país tão elegante, áreas montanhosas, clima alpino, invernos frios, verões frescos, gente amiga, emoção no olhar, terra de grandes homens, nossa família veio de lá.

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